segunda-feira, 31 de agosto de 2015
A VIDA DO OBREIRO: exegese de 1Tm 4.12
exegese de 1Tm 4.12
TEXTO BÁSICO:
mas sê um exemplo para os fiéis na palavra, no procedimento, no amor, [no espírito] na fé, na pureza. (1Tm 4.12)
Exegese do texto:
A) Análise do substantivo exemplo ou padrão
A palavra τυπος no original grego significa modelo, tipo, padrão, protótipo, isto é, há um molde ou uma forma que é passível de ser copiada. Um modelo a ser copiado ou imitado.
A tradução grega do AT hebraico utiliza esse vocábulo grego no texto de Ex 25.40: “Atenta, pois, que os faças conforme o seu modelo, que te foi mostrado no monte”. Esse texto deixa bem claro que havia um modelo do tabernáculo que deveria ser copiado por Moisés.
O apóstolo aplica essa expressão a Timóteo, de modo que ele deve ser um modelo a ser copiado, um exemplo a ser seguido.
Segundo o apóstolo Paulo, não basta que o obreiro tenha uma boa eloqüência, seja usado nos dons do Espírito, ele precisa ter uma vida que inspire o rebanho do Senhor Jesus.
B) Análise do verbo tornar
O apóstolo Paulo expõe uma ordem a seu filho na fé, Timóteo. O verbo “ser” ou tornar” está no modo imperativo médio ou passivo, e refere-se a uma ordem, a qual deve ser realizada no seu interesse próprio.
1) Uma ordem que deve ser realizada constantemente por Timóteo em seu próprio benefício.
Seja para si, torna-te, torne para si.
a) uma ordem
O conhecido jovem Pastor recebeu uma ordem. Não se trata de uma opção para Timóteo, de forma que não teria nenhuma escolha senão acatá-la!
b) realizada em seu próprio benefício
E tal ação deveria ser realizada pelo próprio Timóteo em seu próprio benefício. Uma ação voltada para si, sua vida, seu próprio coração. Timóteo deveria agir voltado para si. Ele deveria se tornar, ou ser. A ordem foi direcionada a ele, de forma que caberia a ele agir visando a si próprio. Assim a ordem não era para outra pessoa, e o alvo da ação era o próprio Timóteo.
c) constantemente
Uma vez que o verbo está no imperativo e no tempo presente, Timóteo recebe uma ordem que deve ser constantemente cumprida, ou seja, não ser refere a um único ato isolado. Pelo contrário, caberia a Timóteo ser constantemente, em todo seu ministério, durante toda sua vida. Não poderia esquecer dessa palavra.
sexta-feira, 24 de julho de 2015
Como agir diante dos irmãos (1Ts 5.14)
sábado, 2 de fevereiro de 2013
Seu filho vai à escola? Não temas!
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
Últimas palavras inspiradas antes da morte
domingo, 26 de fevereiro de 2012
O livre-arbítrio não existe
Até a ciência está reconhecendo o que as Escrituras ensinam: somos servos, ou de Deus, ou do pecado (Rm 6.16).
sexta-feira, 1 de abril de 2011
O Nome do Senhor (YHWH)
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Teologia Bíblica de Isaías
A posição do livro segundo a Bíblia Hebraica tem relevância teológica. Sendo o primeiro dos profetas anteriores, Isaías analisa a dádiva e a quebra da aliança, refletindo os conceitos esposados na Lei e nos profetas anteriores, de modo que os profetas anteriores preparam o palco para os posteriores.
O livro de Isaías destaca os seguintes assuntos: a santidade de Deus e o futuro Salvador davídico. A propósito, esse capítulo é intitulado de “O Deus Salvador”, visto que a “a salvação seja o derradeiro objetivo de Deus em Isaías” (p. 350).
A teologia de Isaías segue esta estrutura:
1) O Deus que condena e chama (Is 1-12)
O juízo de Deus é proclamado com toda veemência, ao passo que a salvação do Senhor não é menos enfatizada. Isaías transita entre o juízo e salvação, a desolação e a esperança, o reinado ímpio e incrédulo do rei e seus súditos e o reinado justo e fiel do novo rei davídico e seu remanescente.
O remanescente contrapõe-se ao Israel rebelde. Aliás, esse remanescente abrangerá outras nações.
Isaías vaticina acerca de um futuro muito distante, jamais enfatizado outrora. E combina as esperanças futuras com o presente caótico, conclamando o povo ao arrependimento, a fim de que, baseado nas promessas passadas, haja um futuro próximo melhor.
2) O Deus que elimina nações orgulhosas (Is 13-27)
Haja vista a arrogância das nações, entre as quais destacam-se dois impérios mundialmente conhecidos, Assíria e Babilônia, o Senhor julgará as nações, de modo que purificará a terra, a fim de que remanescentes dessas nações façam parte da nova criação de Deus.
O castigo das nações aponta para o juízo final descritos em Is 24-27.
3) O Deus que firma o remanescente (Is 28-39)O rei Acaz não creu na mensagem de Isaías; um rei anônimo creu na ajuda egípcia; no entanto Ezequias creu no poder do Senhor, e recebeu grande livramento da poderosa Assíria.
O remanescente será preservado, de modo que o novo Rei proporcionará uma futura libertação. O livramento concedido a Ezequias tipifica o glorioso livramento final. Novamente Isaías transita entre o presente e o futuro.
4) O Deus que salva por meio de um servo sofredor (Is 40-55)
Essa seção é o zênite da teologia de Isaías, pelo que ressalta a fé monoteísta e apresenta um servo iluminado e santo com características messiânicas, ou seja, o próprio Jesus Cristo, que redimirá outro servo, qual seja, a nação de Israel, cega e pecadora. Portanto, “não é necessário ler Isaías 40-55 apenas como uma obra exílica ou como uma profecia totalmente preditiva” (p. 363).
A salvação decorre inteiramente da soberania de Deus e do ministério do servo. De modo que, as alianças com Abraão, Moisés e Davi são concretizadas plenamente: Israel tornar-se-á uma bênção para todas as nações, gentios farão parte do povo eleito do Senhor, o remanescente obedecerá fielmente o Senhor e habitará na terra prometida, e um novo Rei perfeito e justo governará o povo de Deus eternamente.
Uma vez que Deus revela que Ciro será usado para beneficiar Israel, Ele é o Senhor da história, dirigindo-a em prol de seu povo. A nação de Israel, por sua vez, é impelida a crer somente em Deus e não virar-se para qualquer ídolo, cujo poder é inócuo e conhecimento é nulo.
5) O Deus que cria novos céus e nova terra (Is 56-66)
Na seção anterior (40-55), Deus é apresentado como criador, ao passo que nessa seção o Criador é autor da nova criação. Um novo Éden será inaugurado: livre de pranto, pecado e morte. Entretanto, os ímpios e seus pecados serão julgados e banidos para sempre da nova criação, ao passo que o remanescente de Israel e dos gentios habitarão eternamente junto com o grande Rei.
O servo-messias, identificado no NT como o Senhor Jesus Cristo, terá participação ativa nessa nova criação.
6) Isaías e o cânon
A presença de Isaías no cânon – sendo o primeiro profeta posterior – tem relevância teológica, de modo que 2Re 18-20 serve como introdução do livro de Isaías, e este livro introduz os demais profetas. “Muitos dos profetas ou refletem acerca da obra de Isaías ou possuem um ponto de vista parecido sobre que assuntos a profecia deve incluir” (p. 379).
Todas as alianças são mencionas. E quando a aliança davídica se cumprir, as demais se concretizarão.
"O Éden será restaurado, nações serão abençoadas, pecados serão perdoados, a lei será cumprida, e Davi terá um trono eterno quando o Rei, servo e operador de cura ungido (61.1-3) ministrar ao remanescente, que habitará os novos e a nova terra." (p. 378)
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
BATALHA ESPIRITUAL
Como o próprio título sugere, o livro versa sobre a batalha espiritual. No entanto, o escopo do livro vai além do propósito de proporcionar um entendimento bíblico acerca do tema. Pelo contrário, a origem do livro está atrelada ao famigerado movimento herético de batalha espiritual, cujos advogados mais conhecidos aqui no Brasil dessa moderna onda de batalha espiritual são C. Peter Wagner e Neuza Itioka. Entretanto, os conceitos e práticas estão espalhados em todos segmentos evangélicos, se arraigando com mais receptividade no movimento neopentecostal e pentecostal, também há adeptos no Catolicismo Romano, por meio da Renovação Católica Carismática.
Diante dessa notável influência do movimento da moderna batalha espiritual, o livro propôs-se a abordar a prática bíblica da batalha espiritual, e confrontar com as Escrituras Sagradas a moderna batalha espiritual.
O primeiro capítulo do livro abordou a realidade da batalha espiritual. A partir daí, se inicia a análise do hodierno movimento. As raízes históricas e supostas bases bíblicas são analisadas e refutadas com base numa exegese sólida e escorreita dos textos bíblicos. Também houve comparações com alguns períodos de avivamento na história da igreja, cujo bom êxito não foi precedido pela aplicação de qualquer princípio sugerido pelo movimento da batalha espiritual, que o autor faz questão de colocá-la entre aspas, com vistas a distinguir da batalha espiritual bíblica.
Nos últimos capítulos, o autor fez uma exegese abrangente e consistente de textos bíblicos pertinentes como o 2Cor 12 e 1Cor 8-10, que tratam do espinho na carne de Paulo e da carne sacrificada a ídolos, respectivamente.
Com efeito, o autor perfilha a linha reformada-presbiteriana, possui um apreço e respeito peculiar para com o texto bíblico, de modo que o tem como única regra de fé e prática, visto que sempre procura chancela bíblica para a batalha espiritual. Isso pode ser facilmente constatado pelas citações e exegeses dos textos bíblicos.
A própria formação acadêmica do autor denota que autor se esmera pela exegese consistente, fundada na hermenêutica histórico-gramatical, primando pelo sentido único baseado na intenção autoral, pois que é mestre e doutor em interpretação bíblica.
Uma vez que o autor é reformado e presbiteriano, talvez a única questão controvertida no livro seja sua posição amilenista. Visto que relaciona o amilenismo com a batalha espiritual, de maneira que trata o diabo como um ser acorrentado, o que causa um pouco de estranheza, como se os premilenistas não tivessem ou pudessem proporcionar uma abordagem bíblica do assunto.
Não obstante a posição escatológica do autor, o livro oferece um bom e sólido embasamento bíblico para a batalha espiritual à luz da Bíblia.
Por certo, o autor é conservador, pautando-se pela corrente ortodoxa, de modo que rechaça as teologias oriundas e inerentes ao movimento neopentecostal, bem como pentecostal. Isto é, o autor subscreve o modelo de fé reformada.
Creio que o autor em alguns pontos se portou de maneira exageradamente cético. Por exemplo, no tocante às coisas amaldiçoadas, o autor alegou que isso não tem a capacidade de per si atrair maldições e ataques demoníacos na vida do cristão. No entanto, o próprio texto bíblico condena o uso e depósitos de objetos pagãos e idólatras (Dt 7.25). Naturalmente, o uso e depósito de tais objetos como adereços ou enfeites, ou até indumentários trará problemas de ordem espiritual, pois isso não deixa de ser pecado como qualquer outro, tratando-se de uma idolatria, sendo obra da carne.
Afora essa questão, é muito salutar a preocupação do autor no sentido de buscar fundamentação bíblica para a batalha espiritual, rechaçando experiências despidas de amparo escriturístico.
DECEPCIONADOS COM A GRAÇA
O livro segue a mesma linha dos outros livros[1], SuperCrentes e Evangélicos em Crise: proporciona um panorama geral do movimento neopentecostal e suas doutrinas, e, após, refuta as doutrinas com base em citações bíblicas esparsas, via de regra sem uma exposição exegética e mais profunda dos textos bíblicos. Isso não quer dizer que estejam mal aplicadas, apenas que o significado poderia ser mais explorado e aprofundado. Caso contrário, parece um disputa de textos bíblicos, do tipo “quem tem mais versículos”.
Pela leitura dos livros do Paulo Romeiro infere-se que ele perfilha a teologia pentecostal, conquanto nesse livro ele aponte críticas ao próprio pentecostalismo. No entanto, ainda fica subentendido a relação amistosa e vivencial com o pentecostalismo, visto que as críticas ao movimento ainda são brandas, quase inócuas.
Aliás, o livro até fala do movimento pentecostal como avivamento, o que não há como concordar, visto que os avivamentos bíblicos e históricos foram totalmente distintos e opostos do que aconteceu em Los Angeles no ano de 1906. Outrossim, o livro ainda trata as seitas neopentecostais e algumas pentecostais como evangélicas, o que é inadmissível, haja vista a distância abissal desses movimentos em relação às Igrejas fundadas nas Escrituras Sagradas. Não se tratam de pontos heréticos de somenos importância, pelo contrário, as doutrina fundamentais do cristianismo consubstanciada nos cinco solas é totalmente substituída pela salvação pelas obras e ausência de ênfase e pregação acerca do novo nascimento pela fé em Jesus Cristo, sem falar no exacerbado arminianismo dominante nessas igrejas.
Repisando, todos os livros do autor têm algo em comum: não são muito exegéticos e teológicos, no sentido de tecer uma pesquisa mais acurada, ampla e profunda dos textos bíblicos. As citações bíblicas são aleatórias, não havendo uma exposição do texto consoante a interpretação histórico-gramatical. A análise dos versículos bíblicos é muito superficial.
Assim sendo, os livros do autor carecem de uma exegese sólida e consistente das Escrituras Sagradas.
Talvez isso seja herança do próprio movimento do qual ele se origina. Analisando com mais detalhes a biografia do autor, fica mais fácil compreender a característica hermenêutica do autor.
O autor converteu-se ao evangelho por meio do movimento pentecostal, tornando-se membro e líder da Assembléia de Deus. Sua formação acadêmica inicial não foi teológica, mas secular. Após, se especializou nos estudos teológicos[2].
Dessa forma, o estilo do autor reflete sua formação e origem. Pela leitura dos livros, nota-se uma total ausência de citação de renomados teólogos ou reformados, e dos grandes nomes da história do cristianismo, da completa falta de afinidade com as doutrinas da graça de Deus – a despeito das muitas citações que não tirou a impressão de trabalho acadêmico, de conclusão de curso.
A propósito da graça de Deus, o livro propiciou uma abordagem assaz superficial, quase imperceptível. Se o próprio título do livro fala sobre a decepção com a graça, era de esperar uma exposição mais exegética e enfática da maravilhosa e soberana graça de Deus.
Isso não quer dizer que os livros perderam sua utilidade. Pelo contrário, mesmo com tais limitações, o livro ainda possui muito valor, sendo de proveitosa serventia, mormente aos afiliados ao movimento pentecostal[3] e neopentecostal.
O linguajar simples e objetivo do autor pode auxiliar muitas pessoas a se afastarem dos perigos neopentecostais, bem como refletir sobre a ótica pastoral, com vistas à restauração e cuidado das pessoas decepcionadas com a falsa graça, vendida no mercado gospel.
O autor poderia substituir o título – uma sugestão: a miséria da teologia da prosperidade – ou ao menos justificá-lo, colocando, por exemplo a palavra graça entre aspas. Porquanto ninguém se decepciona com a genuína graça de Deus. Pelo contrário, a graça nos basta! Assim, o autor poderia ser mais enfático e taxativo classificando como falsa graça, uma graça barata, o que querem vender como graça.
A abordagem pastoral do autor poderia ser mais aprofundada, utilizando-se de livros clássicos como Pastor Aprovado de Richard Baxter, entre outros autores puritanos. Creio que o trabalho poderia ser muito enriquecido com uma sucinta explanação da história da Igreja, e do trabalho pastoral nesses períodos, ou seja, qual era o modus vivendi da igreja nos principais períodos históricos. Uma vez que o próprio livro analisa a história e prática do movimento pentecostal, a história e prática da igreja seria muito pertinente. Sobretudo, a análise da igreja primitiva poderia ser mais confrontada com a praxe pastoral hodierna.
No tocante aos trabalhos de teológicos de outros autores, alguns títulos de John Piper seriam pertinentes ao livro, como O Sorriso Escondido de Deus, de forma a propiciar outras formas salutares de abordagem do sofrimento e dos males causados pelo movimento neopentecostal.
Em vez disso, o autor destacou basicamente dois teólogos – para mim, desconhecidos, um pelo menos é liberal, e sem uma influência mais pujante, de pequeno calibre, se comparado aos renomados teólogos do cristianismo, não obstante os títulos obtidos; nada contra esses dois teólogos, mas como disse, o trabalho poderia ser enriquecido um pouco mais – de forma que não fundamentou muito suas explanações nas Escrituras, mas tão-somente limitou-se a citar a exposição deles.
Na página 192, se declara que a oração de Jesus não foi atendida, mas creio que isso não se harmoniza com o contexto, pelo que o próprio Jesus retificou imediatamente sua petição, rogando que se fizesse a vontade do Pai.
Não obstante a característica menos exegética e expositiva do livro, porém mais narrativa, fazendo uso de citações bíblicas esparsas, bem como a falta de interação com teólogos clássicos e renomados, o livro cumpriu seu mister: alertar sobre os perigos do neopentecostalismo, e refletir sobre propostas pastorais para acolher as pessoas decepcionadas com esse movimento.
Com efeito, não há propostas prontas, imediatas e simples. A questão exige uma reflexão maior, e pormenorizada, que extrapolaria o escopo do livro.
Certamente, pela graça de Deus, esse livro será útil e valioso como foram os outros dois títulos do autor.
[1] Já li os outros dois livros do Paulo Romeiro: SuperCrentes e Evangélicos em Crise
[2] http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Romeiro
[3] Converti-me numa igreja pentecostal, Assembléia de Deus, e, por causa de um presbítero dessa igreja, aderi por um tempo à teologia de Keneth Hagin e demais advogados da teologia da prosperidade. Graças a Deus, o livro do Paulo Romeiro, Evangélicos em Crise, veio num momento muito oportuno para mim, pelo que pude abrir os olhos para as heresias ensinadas e praticadas na Igreja da qual era membro.
sábado, 8 de janeiro de 2011
O preço (J.C. Ryle)
1) O custo de ser um cristão verdadeiro
Admito prontamente que custa pouco alguém manter a aparência de um cristão. Uma pessoa que apenas frequente algum lugar de adoração duas vezes a cada domingo e possua uma moralidade razoável durante os dias da semana, já terá feito o que milhares de outras pessoas ao seu redor fazem com o cristianismo. Tudo isso é trabalho fácil e barato; não requer qualquer autonegação ou autossacrifício. Se isso é o cristianismo que salva e que nos conduzirá ao céu quando morrermos , então convém que se altere a descrição sobre o caminho da vida e se escreva: “Larga é a porta e espaçoso é o caminho que conduz ao céu! (Ryle, Santidade, p. 107, 108)
Não obstante, custa bastante ser um crente verdadeiro se os padrões da Bíblia tiverem de ser seguidos. Há inimigos que terão de ser vencidos, batalhas que terão de ser travadas, sacrifícios que terão de ser feitos, um Egito que precisará ser esquecido, um deserto que precisará ser atravessados, uma cruz que deverá ser carregada, uma carreira que terá de ser corrida. A conversão não se assemelha a colocar um homem em uma poltrona, levando-o assim, em conforto, para o céu. Quando alguém se torna crente, dá início a um imenso conflito no qual custa muito obter a vitória. Daí origina-se a indizível importância de “calcular o preço”. (p. 108)
[...] Antes de tudo, isso lhe custará a sua justiça própria . Ele terá de desfazer-se de todo o orgulho, de todos os pensamentos altivos e de toda a presunção acerca de sua própria bondade. Terá de contentar-se em ir para o céu como um pobre pecador salvo exclusivamente pela graça gratuita, devendo tudo aos méritos e à retidão de Outrem. (p. 108)
Em segundo lugar, um homem terá de desistir dos seus pecados. Ele deverá estar disposto a abandonar cada hábito e prática errados aos olhos de Deus. Terá de voltar o rosto contra tais práticas, lutando contra elas, rompendo com elas, crucificando-se para elas e esforçando-se por mantê-las sob seu controle, sem importar com o que o mundo ao seu redor possa pensar ou dizer. Ele terá de fazer isso de maneira honesta e justa. Não poderá dar tréguas a nenhum pecado especial que ele ame. Ele terá de considerar todos os pecados como inimigos mortais, odiando cada caminho de iniquidade; sem importar se são pequenos ou grandes, públicos ou secretos; ele terá de renunciar terminantemente a todos os seus pecados. Talvez esses pecados lutem diariamente contra ele e, às vezes, quase haverão de derrotá-lo. Porém, ele nunca poderá ceder diante deles. Cumpre-lhe manter uma guerra perpétua contra os seus pecados.
Isso também parece difícil e não me admiro. Geralmente os nossos pecados são tão queridos por nós como se fossem nossos filhos: nós o amamos, abraçamos, apegamo-nos a eles, deleitamo-nos neles. Romper com eles é algo tão difícil quanto decepar a mão direita ou arrancar o olho direito da órbita. Mas isso tem de ser feito. (p. 109)
Terá de tomar cuidado com seu tempo, sua língua, seu temperamento, seus pensamentos, sua imaginação, seus motivos e sua conduta em cada relação da vida. (p. 110)
...Em último lugar, ser crente custará a um homem a aprovação do mundo.
Esse é o cálculo do que custa a alguém ser um crente verdadeiro. ...
... Reconheço que custa muito ser um verdadeiro crente... Uma religião que nada custa, nada vale! Um cristianismo barato, destituído de cruz, mostrará ser um cristianismo inútil, que não pode obter a coroa. (p. 111)
2. A importância de calcular o preço
... nenhum dever determinado por Cristo pode ser negligenciado sem provocar dano. (p. 111)
Por não calcular o preço, não poucos abandonaram a Cristo.
Tenhamos vergonha de usar os vulgares artifícios de um sargento recrutador. Não falemos apenas sobre o uniforme, o soldo e a glória; falemos também sobre os inimigos, as batalhas, a armadura, a vigilância, as marchas e o treinamento árduo. (p. 117)
3. Algumas sugestões
Se você é um crente santo e dotado de coração sincero, calcule e compare:
a vantagem e a perda
o louvor e a desaprovação
os amigos e inimigos
a vida presente e a vida futura
os prazeres do pecado e a felicidade do serviço prestado a Deus
as tribulações sofridas pelo verdadeiro crente e as tribulações reservadas para o ímpio, após a morte.
Um único dia no inferno será pior do que uma vida inteira a carregar a cruz de Cristo.
Em conclusão, que cada leitor pense com seriedade, se a sua religião custa-lhe alguma coisa no presente. Mui provavelmente, nada lhe custa. Provavelmente, não lhe custa tribulação, nem tempo, nem preocupação, nem cuidados, nem dores, nem leituras, nem orações, nem autonegação, nem conflitos, nem trabalho e nem labor de qualquer espécie. Portanto, assinale o que estou lhe dizendo. Uma religião assim jamais salvará sua alma. Nunca lhe poderá conferir qualquer paz enquanto você viver, nem esperança quando morrer. Ela não conseguirá sustentá-lo no dia da aflição e nem poderá confortá-lo na hora da morte. Uma religião que nada custa também nada vale. Desperte e converta-se. Desperte e confie. Desperte e ore. Não descanse enquanto você não puder dar uma resposta satisfatória à minha pergunta: “Quanto lhe custa a sua religão?” (p. 121)
Talvez custe muito ser um crente verdadeiro, um crente coerente. Mas, vale a pena.
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Sermão em Lc 11.29-36
1) Os religiosos queriam um sinal.
2) Jesus não mostrou o sinal requerido
3) Jesus mostrou outro sinal
O poder da Palavra do Senhor.
Aplicação:
1) O que você quer ver?
2) O que Jesus quer mostrar-lhe?
3) O que você deve ver?
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Simplicidade de Deus e Complexidade do Homem
Todavia, Deus sendo tão infinito e majestoso aos nossos olhos se faz homem, tornando-se simples, ao passo que o homem caído e depravado querendo usurpar o trono do Criador, tem se tornado um ser tão incompreensível, imprevisível.
De fato, o ser humano complica as coisas simples para que a observância delas seja facilitada. No final, apenas engana-se a si próprio.
A palavra do Senhor, contudo, simplifica as coisas complexas, e não oculta a dificuldade de observá-las.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Elias e a viúva de Sarepta
No século IX a.C o profeta Elias surge como um anônimo, sem lastro familiar, social e político. Não há menção a seus ascendentes, o que não é comum em Israel. É um tisbita, natural de Tisbé, cidade inexpressiva e desconhecida atualmente localizada na região da Transjordânia, que pertencia à região de Gileade situada entre as tribos da Transjordânia – Rúbem, Manassés e Gade.
A nação de Israel – composta por dez tribos do Norte – atravessava um período de prosperidade e crescimento econômico. Onri (880-873 a.C), pai de Acabe, fundou Samaria como capital do reino do Norte. Livrou a nação da instabilidade política marcada por conspirações, chacinas e suicídio. Em menos de três anos houve dois reis (Elá e Zinri) e uma divisão interna em que parte de Israel era governado por Onri e outra parte por Tibni.
Há relevantes fontes extra-bíblicas que, além de corroborar a veracidade histórica do reinado de Onri, certificam que seu governo teve repercussões internacionais. Descobertas arqueológicas impingem que Onri foi um rei bem-sucedido, cuja fama reverberou na Mesopotâmia. Uma inscrição gravada na Pedra Moabita (c. 830 a.C) registra que “Onri era rei de Israel e oprimiu Moabe por muitos dias”. Mais tarde, inscrições assírias datadas de mais de cem anos após a morte de Onri mencionam-no. Por exemplo, quando Jeú pagou tributo ao rei Samaneser III (859-824 a.C), sendo tal fato gravado no Obelisco Negro, há o seguinte registro: “Jeú, filho de Onri”.
Por outro vértice, enquanto Onri era o ícone internacional de Israel, também não deixava de ser o novo ícone da idolatria, sobrepujando o precursor do culto idólatra, a saber, Jeroboão, que criou uma nova religião e construiu imagens e altares dedicados ao culto idólatra e sincretista (1Re 16.25; 12.26-33).
Assim sendo, não obstante a prosperidade econômica e política, Israel continuava atolada no lamaçal da idolatria, de forma que o estado espiritual da nação era miserável, abominável e deplorável. Os adoradores do Deus invisível e glorioso que não havia se revelado em figura ou forma alguma (Dt 4.15-20) tornaram-se resoluta e acintosamente adoradores de bezerros e imagens humanas esdrúxulas!
Acabe (873-853 a.C), o filho de Onri, sucedeu seu pai, e “fez muito mais para irritar ao Senhor Deus de Israel, de todos os reis de Israel que foram antes dele” (16.33). A começar por seu casamento, contraiu núpcias com uma mulher estrangeira e idólatra, a famigerada Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios, com vistas a estreitar os laços com os fenícios. Por conseguinte, Acabe tornou-se adorador devoto de Baal, o deus cananita.
Há uma imagem que retrata Baal com um machado e um raio na mão. Outra escultura mostra-o com uma espada e escudo. As imagens de Baal mostram-no como um homem guerreiro, controlador do tempo, contudo, tem uma feição medonha, asquerosa e macabra.
Baal, cujo significado é senhor, possuidor ou marido, é o grande deus dos cananeus relacionado à fertilidade e à chuva. Sua esposa era Astarote. Aserá era consorte de El, o deus-mor do panteão cananeu, sendo intitulada “a senhora que anda sobre o mar” e “usufrui o título de qaniyatu elima “progenitora (ou criadora) dos deuses. O seu filho mais famoso era Baal” .
Os cultos cananeus eram caracterizados pela ubiqüidade dos altos e promiscuidade. Os outeiros eram os locais apropriados para a adoração. Cada outeiro poderia se tornar num local de adoração a Baal. Nos cultos havia muita orgia. Era uma forma de representar o relacionamento sexual dos deuses, com o objetivo de alcançar a fertilidade da terra e das criações.
Nesse contexto tenebroso, miserável e abominável aos olhos do nosso Senhor, surge o profeta Elias, cuja primeira atividade profética consistira em predizer uma forte seca. Essa profecia já denotava que seu ministério consistiria em se opor à idolatria e ao baalismo, que era a religião oficial de Israel, e, como o próprio nome diz, cujo principal ídolo era Baal, tendo como devotos o rei Acabe e sua esposa Jezabel. Porquanto, a seca além de castigar o povo de Israel em conformidade com as maldições elencadas em Dt 28.23,24, visava atacar o próprio Baal, que era reputado como controlador do tempo e deus da fertilidade.
Assim sendo, o início do ministério de Elias revela seu precípuo mister consistente em desafiar e derrotar Baal e seus adoradores. Não era uma tarefa fácil, pelo contrário, sua vida corria perigo, seu cargo estava em extinção, pelo que Jezabel havia destruído os profetas do Senhor. Para manterem-se vivos, os profetas do Senhor tinham de esconderem-se. Por exemplo, Obadias, mordomo de Acabe, escondeu cem profetas do Senhor, sustentando-os com pão e água.
Com efeito, o zênite do ministério de Elias é a clássica luta contra os profetas de Baal (18.17-40). Para chegar lá Elias deveria ser preparado por Deus. Enfrentar a idolatria, o próprio rei Acabe e a sanguinária e adoradora de Baal Jezabel demandariam assaz preparo.
Após a intensificação da seca que culminou com o desaparecimento do ribeiro onde Elias era alimentado miraculosamente pelo Senhor, Deus manda novamente Elias ir a Sarepta, onde lhe seria proporcionado experiências significativas com o Senhor, que capacitá-lo-ia para o grande confronto.
Elias recebera duas ordens inexoráveis e desafiadoras (17.3,9) que manifestavam o controle absoluto e soberano do Senhor. Na primeira, Deus ordenou aos corvos que sustentassem-no. Na segunda, Deus ordenou uma viúva que sustentassem-no. Em ambas, Deus mandou Elias ir a lugares reservados: ribeiro junto ao Jordão e casa de uma viúva em uma cidade sem muita expressão.
Essas duas ordens conexas demandaram muita fé e confiança de Elias. À medida que Elias agisse segundo a palavra do Senhor, Deus cumpria sua promessa, sustentando-o .
O sustento de Elias pelos corvos já era uma demonstração clara e inequívoca de que o Senhor sustentaria Elias. A imunda Jezabel sustentava os profetas de Baal, sendo pior que os imundos corvos (Lv 11.15), pois estes, embora fossem imundos, eram mais nobres que aquela, pois sustentavam um profeta de Deus. É como se Deus dissesse-lhe: “Elias, seu ministério é árduo, sua função está em extinção, perante os homens você não conseguirá cumprir essa nobre missão. Todavia, eu, o Senhor seu Deus, perante cuja face você está, te sustento e te guardo. O teu sustento vem de mim e não de homens. Por isso, não temas, fala e não te cales!”
Ainda assim, Elias necessitava de mais experiências com o Senhor a fim de consolidar sua fé e prepará-lo para o grande desafio contra os profetas de Baal. De forma que estas serão gozadas em Sarepta.
Sarepta era uma cidade fenícia, que pertencia a Sidom, distando cerca de 13 km dessa famosa cidade, ficava numa região que era considerada localidade de Baal. A propósito, Jezabel era de Sidom.
A ida a Sarepta era uma prova de fé. Elias teria de caminhar cerca de 160 km. Outrossim, a fome assolava aquela região. A propósito, Flávio Josefo cita que a fome levou o rei de Tiro a estabelecer que se fizesse orações . Viúvas geralmente precisavam ser sustentadas (Dt 14.28,29; 24.19-22), de forma que dificilmente teriam condições de sustentar a si e seus órfãos, muito menos conseguiriam sustentar outros.
Mas Elias não hesitou. Confiou no Senhor. E Deus o sustentou miraculosamente naquele lugar. Em Israel, Jezabel sustentava seus profetas. Mas, próximo à cidade natal dela, o Rei de Israel, YHWH, sustentava seu profeta por meio de uma mulher, viúva, pobre, mas rica em fé.
Champlim assevera que “através da maneira incomum de nutrir fisicamente o profeta, Deus também estava nutrindo a fé de Elias, para feitos posteriores de força espiritual.”
A ida a Sarepta tinha propósitos específicos. Naquela época estava impregnada na mente do povo a crença de que a influência dos deuses limitava-se a circunscrições territoriais. Em virtude dessa heresia, Deus tencionou demonstrar que seu poder e soberania não estão adstritos exclusivamente a um determinado território. Pelo contrário, até em território “alheio pertencente a outro deus” ele tem poder e autoridade. Ah, se a nação de Israel reconhecesse isso! (Sl 81.13-16; Is 48.18-19). Em Sarepta, o Senhor preservou Elias dos riscos de perseguição e atentado perpetrados por Jezabel.
Além dessa edificante experiência, o Senhor ainda reservava para Elias mais uma singular e rara experiência, a saber, a de ressuscitar o filho daquela viúva. Até aquele dia não havia nenhum relato bíblico de que um morto tinha ressuscitado. A oração de Elias para que o filho da viúva ressuscitasse revelava que ele estava absorto pela fé em Deus; com efeito, estava na trilha de seu pai Abraão, o qual creu que Deus poderia ressuscitar seu filho Isaque.
Por conseguinte, em Sarepta, Elias teve mais duas experiências sobrenaturais que caracterizavam o cuidado do Senhor por Elias e o poder e a soberania de Deus. Elias orou pela ressurreição do menino, e Deus atendeu. Em Sarepta a fé de Elias foi fortalecida e consolidada. Agora sim, o profeta estava preparado para se apresentar a Acabe e Jezabel para aquele grande confronto. E Elias assim fez, foi a Acabe com destemor, ousadia, intrepidez, desafiando os ídolos de Acabe e Jezabel.
Em Sarepta Deus provou a fé de Elias e o fortaleceu. De sorte que não havia motivos para temer Jezabel e Acabe. Agora sim o profeta estava preparado para o grande desafio e confronto com os falsos profetas de Baal.
No entanto, alguns detalhes dessa narrativa publicam a vergonhosa decadência espiritual de Israel, e visam causar emulação em Israel.
Uma viúva pobre e estrangeira teve fé na palavra do profeta Elias, de modo que foi usada por Deus para sustentar o profeta. Nesse ínterim, em Israel, a rainha Jezabel sustentava os profetas de Baal (18.19). Aqueles a quem a palavra fora revelada, a quem pertenciam as promessas, as alianças e os oráculos, não sustentavam o profeta, pelo contrário, além de sustentar falsos profetas, perseguia os verdadeiros profetas.
Por outro vértice, uma viúva estrangeira reconhece a autoridade do profeta, bem como de sua palavra, sendo oriunda do próprio YHWH. Depreende-se inelutavelmente que a fé daquela viúva era incomparável em relação a Acabe e Jezabel.
Próximo da cidade natal de Jezabel, de onde se esperava mais uma adoradora de Baal, Elias se depara com uma estrangeira que era viúva e pobre; esta, a seu turno, o reconhece como profeta, crê na sua palavra, e, mesmo equivocadamente, reconhece que o profeta de Deus pode trazer juízo sobre todo pecado, fazendo-o vir à tona. Que exemplo! O que não havia no palácio da capital de Israel, surge na porta de uma cidadezinha desconhecida. O que não havia na classe nobre dos israelitas, surge na classe baixíssima dos sidônios: FÉ!
À medida que Elias e a viúva confiavam na palavra do Senhor, a fome era dava lugar para o mantimento, a morte cedia em favor da vida! Ah, se a nação de Israel reconhecesse isso! (Sl 81.13-16; Is 48.18-19).
Essa narrativa também teve o desiderato imediato e mediato de sustentar e nutrir as convicções javistas dos profetas perseguidos e em extinção de YHWH. Não obstante toda perseguição e hostilidade perpetrada pelo próprio rei de Israel e sua esposa, Deus, o Rei dos reis, é o provedor e mantenedor da escola de profetas, da qual Elias se destacava. A palavra de Deus na boca de Elias foi verdade, e na boca dos profetas do Senhor subseqüentes também serão verdade (18.24)!
Os profetas pós-exílicos também deveriam sempre confiar no Senhor e em Sua palavra, a qual não falha.
Enfim, essa narrativa tem aplicações práticas, servindo especificamente para combater o baalismo, e toda forma de idolatria subsequente, bem como para despertar a fé do povo de Deus em todas as eras.
[]
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Variante textual e interpretação
"É necessário destacar, no entanto, que essas expressões descrituvas são suscetiveis a mais do que uma intepretação, e, no seu sentido não tão "definitivo", podem bem ser aplicadas tanto a cristãos "professos" quanto a crentes "genuínos". "Iluminados" (v.4) é um termo aplicado por Justino Mártir (morreu c. 165 d.C; Apol 61.12,13) aos batizados - os que haviam dado consentimento à verdade do catecismo cristão por meio de sua seujeição ao batismo. É possível, então, que o autor de Hebreus tenha usado a palabra nesse sentido. Ao menos a Peshita (uma tradução siríaca do século IV( entende a palavra assim, substituindo "iluminados" por "que desceram ao batismo". [...] (grifei). CBNVI, p. 2107.
Outro exemplo a respeito de Hb 3.14 (hypostasis):
"Alguns manuscritos entenderam a palavra no mesmo sentido que Hb 1.3, e que o pensamento que queriam transmitir era apegar-se ao Ser essencial de Cristo". A frase, portanto, pode ser traduzida "a base, Sua substância". Certo manuscrito, talvez com alusão ao v. 6 e a 1Tm 5.12, substituiu hypostasis por pisteos ("fé"). O pensamento da passagem, no entanto, é o da confiança (cf. 1 supra; FF Bruce, op. cit. 67). DITNT, 876.
sexta-feira, 11 de junho de 2010
Entrevista Dr. Shedd
http://www.vidanova.com.br/teologiadet.asp?codigo=167
Parabéns doutor, pastor-mestre e, sobretudo, serve fiel do Senhor!
Senhor, levante ceifeiros e pastores como esse para sua ceara!
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Profecia contra irmãos insolentes
Israel teve um irmão, Esaú, também chamado de Edom, que habitou na região montanhosa de Seir.
Durante toda história de Israel, esse irmão foi insolente, porquanto tratava Israel de forma grosseira, proferia injúrias, e objetivava destruir seu irmão.
O profeta Ezequiel inspirado pelo Espírito do SENHOR disse:
“Porquanto guardaste inimizade perpétua, e espalhaste os filhos de Israel pelo poder da espada no tempo da sua calamidade e no tempo da iniquidade final, por isso, vivo eu, diz o Senhor Deus, que te preparei para sangue, e o sangue te perseguirá [...] farei do monte Seir uma extrema desolação [...] Portanto, vivo eu, diz o Senhor Deus, que procederei conforme a tua ira, e conforme a tua inveja, de que usaste, no teu ódio contra eles; e me farei conhecer entre eles, quando te julgar, e saberás que eu, o SENHOR, ouvi todas as tuas blasfêmias que proferiste contra os montes de Israel, dizendo: Já estão assolados, a nós nos são entregues por pasto...” (Ez 35.4,5,6,11,12).
Indubitavelmente, o fim dos irmãos insolentes é trágico, terrível e tenebroso, a menos que se arrependam!
Senhor, perdoa eles, pois não sabem o que fazem e o que dizem.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Contraste e tensão
Nossa sociedade é caracterizada pelo contraste. Ontem assisti um programa televisivo apresentado por Roberto Cabrini, que veiculou uma matéria sobre a precária e desgraçada situação de meninos de rua. Estes vivem piores que bichos e animais. Não contrastarei a situação deles com outros meninos de classe média. Os cães e gatos da classe média vivem melhores que essas criaturas. Em outro programa veiculado na cultura assisti a sórdida discrepância em Brasília. Junto a condomínios de luxo e excelentes construções projetadas pelo famoso arquiteto Oscar Niemair, observava-se favelas adornadas com lixo, miséria e restos dos mais abastados, cujo arquiteto desse monturo também é uma criatura, porém sem a prancheta do famoso projetista.
Enfim, esses contrastes são evidentes e causam muita indignação.
Não obstante, vivemos nesse mundo de contrastes e tensões. É inexorável!
O profeta Ezequiel não deixou de ver o mesmo contraste; com efeito, viu um contraste abissal.
No capítulo 1 de seu livro ele se deparou com uma das mais belas e misteriosas visões elencadas na Bíblia. Viu a glória do Senhor. O Espírito Santo entrou nele. Ele ficou pasmo e deslumbrado com tanta majestade. Os fenômenos são comparados àqueles experimentados por Moisés no sopé do monte Sinai.
No entanto, após poucos dias, mais precisamente 7, aquela visão majestosa, gloriosa, santa do Deus vivo trouxe-lhe uma das piores e mais trágicas profecias da Bíblia, a saber, o cerco de Jerusalém.
Essa profecia versava sobre mortes, carnificina, canibalismo, sofrimentos torturantes, fome, e muito, mas muito sofrimento.
O profeta se identificou com essa mensagem. Fez uma severa dieta com símbolo da fome e sede. Rapou sua barba e cabelo como símbolo da vergonha e humilhação.
O profeta Ezequiel viveu essa tensão entre o divino e o diabólico, o santo e o profano, a majestade e a miséria, a vida e a fome. Sua visão manifestava e transmitia a presença do Deus vivo, da vida, exuberância, beleza, ao passo que sua profecia falava do Destruidor, da morte, abjeção e catástrofe.
Nesse mundo atravessamos esses “dois mundos”. Vemos nosso precioso, majestoso e insigne Senhor Jesus Cristo que ressuscitou dos mortos, após o terceiro dia da sua vergonhosa, dolorosa e infame morte. Cristo Jesus habita em nós pelo Seu Espírito. A glória do Senhor se revela a nós.
Não temos a mesma visão fenomenológica de Ezequiel, mas nossa visão é maior. Contemplamos o Filho unigênito e bendito do Pai que deu sua vida por nós, e manifestou seu amor imensurável, inaudito e indizível por nós. Oh que maravilha! Graças dou a ti Senhor por tanto amor... Que amor me concedeu Jesus, gozo santo e celeste luz... Ninguém jamais me amou assim. Ezequiel não tinha essa revelação.
Não obstante tanto amor e graça, tamanha revelação e manifestação do amor do Papai: Jesus Cristo. Não deixamos de anunciar mensagens trágicas como do lago de fogo e enxofre para os rebeldes e ímpios. Sofremos por causa da incredulidade de nossa sociedade, vizinhos, parentes e familiares. Sofremos com a miséria, morte e destruição das pessoas.
Enfim, vivemos o mesmo contraste.
Por isso, creio que a verdadeira mensagem do Evangelho deve nos aproximar e nos fazer identificar com os miseráveis.
No entanto, Ezequiel profetizou a vinda de um fim, e a vinda de uma restauração miraculosa e gloriosa. E sabemos que esse dia virá. Nesse grande dia não haverá esse contraste. Não teremos mais essa tensão.
Assim sendo, clamamos, para que esse dia de contrastes e tensões chegue ao fim:
Venha Senhor o Teu reino assim na terra como no céu, e faça a Tua vontade.
MARANATA, ORA VEM SENHOR JESUS!
sexta-feira, 30 de abril de 2010
SANTIDADE
"Mas não posso negar minha crescente suspeita de que esses grandes "movimentos de massa" do momento, apesar do objetivo aparente de promover a vida espiritual, não tendem a promover a religião em casa, a leitura pessoal da Bíblia, a oração pessoal, a aplicação particular da Bíblia e um caminhar pessoal e diário com Deus. Se eles possuem algum valor real, deveriam levar as pessoas a serem melhores maridos e esposas, melhores pais e mães, melhores filhos e filhas, melhores irmãos e irmãs, melhores patrões e patroas e melhores empregados. Entretanto, gostaria de provas evidentes de que eles têm feito isso. (Santidade, p.10, ed. Fiel)
quinta-feira, 4 de março de 2010
Conjunção Hebraica "E"
E ou por quê? E ou mas? Com e ou sem e?
Nossas traduções da Bíblia apresentam divergências, conquanto a essência do texto seja uníssona, de modo a não alterar a revelação de Deus, o que pode implicar um conhecimento superficial do texto. Por certo, ninguém deixará de conhecer a Deus em virtude das imperfeições de nossas traduções.
Por exemplo, em uma tradução aparece a conjunção “e”, em outra é omitida, outra apresenta “visto que”. Para o Português essa divergência parece um despautério. No entanto, o hebraico possui suas peculiaridades, como o Português em outras questões. Vejamos um exemplo prático usando o texto de Gn 18.17-19:
Então o SENHOR disse: “Esconderei de Abraão o que estou para fazer? 18 Abraão será o pai de uma nação grande e poderosa, e por meio dele todas as nações da terra serão abençoadas. 19Pois eu o escolhi, para que ordene aos seus filhos e aos seus descendentes que se conservem no caminho do SENHOR, fazendo o que é justo e direito, para que o Senhor faça vir a Abraão o que lhe prometeu”. (NVI)
17 Disse o Senhor: Ocultarei a Abraão o que estou para fazer, 18 visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra? 19 Porque eu o escolhi para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do Senhor e pratiquem a justiça e o juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que tem falado a seu respeito. (ARA)
17 E disse o Senhor: Ocultarei eu a Abraão o que faço,18 visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra?19 Porque eu o tenho conhecido, que ele há de ordenar a seus filhos e a sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agirem com justiça e juízo; para que o Senhor faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado. (ARC)
17 Aí o Senhor Deus disse a si mesmo: “Não vou esconder de Abraão o que pretendo fazer. 18 Os seus descendentes se tornarão uma nação grande e poderosa, e por meio dele eu abençoarei todas as nações da terra. 19 Eu o escolhi para que ele mande que os seus filhos e os seus descendentes obedeçam aos meus ensinamentos e façam o que é correto e justo. Se eles obedecerem, farei por Abraão tudo o que prometi.” (NTLH)
Iahweh disse consigo: Ocultarei a Abraão o que vou fazer, já que Abraão se tornará uma nação grande e poderosa e por ele serão benditas todas as nações da terra? Pois eu o escolhi para que ele ordene a seus filhos e à sua casa depois dele que guardem o caminho de Iahweh, realizando a justiça e o direito; deste modo Iahweh realizará para Abraão o que lhe prometeu.
Isso acontece por que o hebraico do Antigo Testamento utiliza predominantemente orações simples, ligadas pela conjunção “e”, que traduz o prefixo hebraico וְ ,cuja transliteração é waw ou vav. De forma que a subordinação – orações mais complexas – não é muito usual. Não poucas vezes o hebraico usa a conjunção vav (“e”) para expressar uma relação de subordinação. Esse fenômeno – oração composta por uma relação de coordenação e oração subordinada ligada pela conjunção vav – é denominado parataxe ou estrutura paratática (Gramática Grega, Wallace, p. 657). Logo, as orações hebraicas são caracterizadas pela parataxe. Ou seja, o conectivo “e” é utilizado com o sentido majoritário de mera coordenação aditiva ou associativa de substantivos, conquanto em não poucos casos tenha sentido subordinado.
O insigne mestre, professor Dr. Carlos Osvaldo, assevera em suas elucidativas notas de rodapé:
Tal como acontece no português, em que a palavra “que” desempenha várias funções de subordinação, a conjunção וְ no hebraico desempenha uma grande variedade de papéis, englobando as duas categorias principais, coordenação e subordinação (Fundamentos para Exegese do AT, p. 136).
A citação extraída da obra de Bruce Waltke e M. O’Connor comentando sobre a conjunção vav afirma:
O hebraico bíblico frequentemente liga logicamente orações subordinadas a uma oração principal quer assindetivamente quer, mais frequentemente, sindeticamente com esta conjunção [vav].
Por conseguinte, o vav, frequentemente traduzido por “e”, pode ter outras matizes (Introdução à sintaxe do hebraico bíblico, p. 649).
Abaixo segue uma lista de possibilidades :
Mas >> conjunção adversativa
Ou >> alternativa
Portanto >> conclusiva
Cujo, a quem, o qual >> pronome relativo, aposição
Se >> condicional
Porque, pois >> causal
A fim de que, para que >> final
Embora, não obstante >> concessiva
De modo que, em razão disso, de sorte que >> consecutiva
Como >> comparativa
E >> associativo de substantivos
Isto é, qual seja, a saber >> aposição
O vav também pode significar tão-somente o início de outro parágrafo ou tema independente, como se fosse um sinal de pontuação inicial, um ponto inicial, digamos assim. A propósito, algumas traduções omitem a tradução do vav, denotando que se trata de um novo parágrafo.
É interessante notar que o próprio Novo Testamento Grego escrito por autores influenciados pela cultura hebraica, contém hebraísmos. Isto é, o conectivo grego kai, traduzido por “e”, pode ter as mesmas conotações do hebraico. Nos evangelhos de Mateus e Marcos podem ser observados essas nuanças oriundas do hebraico; em que o “e” pode ter o sentido de uma nova frase, ou até mesmo de conjunção adversativa “mas”.
À vista de todo exposto, depreende-se que a simples partícula vav, traduzida geralmente por “e” pode ter significados bem mais abrangente. Atento a isso, mesmo as traduções mais literais, como ARC e ACF , traduzem o vav por outras conjunções, embora com muito mais relutância que a ARA, NTLH e NVI.
Com efeito, a escolha do significado não pode ser arbitrária, ou dependente do pressuposto teológico do exegeta ou tradutor, pelo contrário, deve advir do contexto. O contexto indicará o significado do vav.
Por isso, advogo a tese de que uma escorreita exegese depende do conhecimento do texto original. Como perceber essas nuanças sem o texto original? Como saber se a conjunção é realmente “para que” ou “e”, ou seja, se a oração expressa propósito ou mera adição?
Aqueles que não possuem acesso ao texto original, mas querem ter uma noção do texto, com vistas a se aproximar do original, devem consultar compulsoriamente outras traduções.
Assim sendo, quando nos depararmos com alguma conjunção ou com o mero conectivo “e” em nossas traduções, antes de extrairmos nossas ilações, e expô-las à igreja, devemos certificar-nos se de fato a tradução está correta.